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Bianca e o Dragão

de Beatriz Pacheco Pereira

ISBN: 9789728985271

Edições Próprias

40,39 €

Bianca e o Dragão Um livro em formato de álbum, com 18 pinturas de Agostinho Santos. O Porto como cenário, uma Estátua na marginal do rio, Anjos que visitam a cidade, um Dragão que violenta e destrói, uma Casa na Rua da Restauração, uma Mulher, um Homem. As forças contraditórias da nossa Humanidade. A Vida e a Morte. E Deus que vigia e se diverte. Uma história tirada do Fantástico e da Imaginação. Uma leitura de Bianca e o Dragão Como se as potencialidades lúdicas do simbólico, as situações misteriosas e estranhas, o oculto e o Além pudessem ultrapassar em discernimento e saber uma realidade subjugada pelo imediatismo das interpretações, Bianca e o Dragão, de Beatriz Pacheco Pereira, narra uma história de contornos fantásticos, cuja acção decorre no Porto, enveredando por um realismo urbano que permite situar as personagens num espaço que lhe é familiar: no Museu Soares dos Reis, trabalham os protagonistas; a cidade, o rio, os espaços abertos, por onde circulam memórias e pessoas, são o pano de fundo de peripécias e acontecimentos. A abrir a narrativa, um preâmbulo intitulado "Regras do Dragão", uma espécie de teogonia, servirá de chave para a leitura deste romance. Aí, a simbologia irrompe através de mitos ancestrais do domínio do sobrenatural: Primeiro existiu Deus, depois a humanidade, criada num dia que deveria ter sido de descanso, e não foi, e só depois chegou o dragão. - assim narra o primeiro versículo. Com efeito, a dimensão do Mal encontra-se alegoricamente explanada neste conjunto de regras que estipulam vários princípios para justificar a miserável incoerência da condição humana, atraída por tendências maléficas que a conduzem à hediondez e à loucura, sob o olhar distraído de um Deus, que se compraz a apreciar o livre arbítrio humano e as consequências que dele advêm. Como é dito no versículo quinze, A luta entre Deus e o dragão só é mitigada pelos anjos que, vindos à Terra conhecer o engenho dos homens, se deparam muitas vezes com o mal que o dragão lhes trouxe.? (p. 7). A partir deste início, o leitor prepara-se para congeminar interpretações sobre o título do romance. Note-se que a escolha do nome italiano Bianca também nos remete para o significado de pureza, de brancura, própria da representação angélica. À maneira da narrativa clássica, a estrutura externa do romance é arquitectada com dois livros, antecedidos de um prólogo e encerrados com um epílogo. O prólogo faz uma incursão de carácter especulativo sobre um acontecimento que vai ser determinante no destino das personagens principais. A inocência da infância surge então como estado privilegiado para se insinuar a luta entre o Bem e o Mal: um rapazinho sai disparado de trás das árvores do Jardim do Marquês e empurra violentamente uma menina que brinca à beira do lago; assustado com a possibilidade da criança se afogar, o amigo de brincadeira salva-a. Na memória da criança ficaria o olhar estranhamente penetrante de um miúdo como ela, e um arranhão fundo, provocado pelo atrito com a beira do lago, ao sair da água. Uma ferida causada pelo salvador e não pelo que usou de maldade. Desse não tinha visto nada, de facto, nem a cara nem o corpo. Apenas sentira as suas mãos. Mãos diabolicamente fortes.? (p. 10). Com este episódio, da meninice de Bianca e Luís, estabelece-se um laço que os vai unir ao longo da vida, através de uma amizade cultivada, alicerçada na protecção deste anjo da guarda, atento a todos os percalços e desastres que possam surgir no caminho da heroína.Ao longo da narrativa, Bianca vai assim ser confrontada com realidades que a colocam perante interrogações enigmáticas e ser surpreendida por inesperados acontecimentos e revelações que pretendem desenhar o seu percurso existencial. Marcada por uma infância tempestuosa e por uma orfandade insólita ? um pai que nunca viu e uma mãe que enlouquece e lhe diz que o pai era um anjo esta mulher formada em Letras e Pintura, que não sabe bem quem é aos 33 anos, vive um quotidiano aparentemente normal, ocupando os dias com o trabalho aliciante do museu, sentindo-se realizada com a profissão e gratificada com a constante companhia de Luís, amigo de infância e colega de trabalho, e de Adília, a conservadora, com quem partilha projectos e inquietações. A cena inaugural do romance é intencionalmente marcante. Na visita habitual à mãe, que se encontra num hospício, Bianca limita-se a contar o seu dia-a-dia a uma mulher silenciosa, de sorriso perplexo que ficou ensimesmada desde que foi internada. Um estado demencial invadira esta escritora de contos com algum sucesso, num passado já distante, na sequência de uma paixão funesta, que a deixara com uma filha ainda criança. Acometida por fúrias irreprimíveis e entregue a uma errância que atormentava a irmã, com quem vivia, acaba por ser levada para o lar-hospital, situado em frente da casa onde moravam, ficando Bianca entregue aos cuidados da tia. Deste passado algo enigmático, ficara marcada na memória da personagem uma situação estranha, ocorrida na infância: a mãe, passeando com ela, parava junto do anjo de metal dourado, em Sobreiras, e ficava a conversar com ele. E as frases dela "O teu pai é um anjo", "O teu pai vai voltar" ficaram a ressoar, desde então, no seu íntimo. Estamos perante um conjunto de circunstâncias que indiciam a vertente simbólica e fantástica deste romance. O silêncio persistente da mãe de Bianca mais não é do que esse estado prolongado de congeminação, prelúdio da revelação que vai decifrar o enigma da vida desta  mulher. Uma fotografia dela, em criança, com a sombra de um homem o pai, que tirara o retrato, identificado pela mãe, que recupera a fala para deixar as palavras reveladoras antes de morrer. A suposta loucura surge, portanto, como um estado de lucidez superior que permite a compreensão do mundo sobrenatural com olhos que só à alma pertencem.E o que dizer dessa herança inesperada que provoca uma viragem na vida desta trabalhadora do Museu Soares dos Reis? Um casarão do século XIX, ainda em bom estado, situado na Rua da Restauração, com vistas para o Douro. Como explicar o mistério dos móveis e objectos, que tendo pertencido a um tio que falecera no Alentejo, acabam por reentrar numa casa que os acolhe como se já conhecesse as suas medidas e tivesse convivido com eles? Situações intrigantes desta natureza, aliadas ao regresso nocturno de um homem, que vela como anjo protector o sono de Bianca, conduzem o leitor ao âmago da questão alienados, não são só os loucos, são também aqueles que vivendo no Além vão exercendo a sua influência benéfica sobre os que tanto amam. Os anjos da guarda da nossa precária existência.Mas Beatriz Pacheco Pereira conhece bem os meandros do fantástico e cria, neste romance, as situações arquetípicas da instauração do surreal. A chegada ao Porto de uma escultura de dimensões colossais, um dragão doado por um escultor luso-italiano fascinado pelo futebol, provoca manifestações extraordinárias: a cidade estremeceu e uma onda de desastres foi noticiada. Uma das "Regras do Dragão" reza: O dragão domina os elementos da Natureza, usando-os com violência. Tempestades e terramotos não são porém mais devastadores do que a crueldade dos homens uns com os outros (p. 7). De tão hedionda, a escultura que, em princípio, deveria ser colocada ao ar livre a guardar o rio, acaba por ficar encarcerada na cave do museu, para descanso da conservadora. O animal fabuloso petrificado desfruta assim de uma ambivalência referencial deveras interessante: se, por um lado, o dragão é emblemático para os portistas e desperta uma identificação com a vitória, na imagem da cidade, por outro lado, ele representa, na cultura ocidental e na tradição judaico-cristã, o poder do Mal ( Na imagética hagiográfica, S. Jorge  extermina o sáurio com a sua lança e a Virgem calca a seus pés o réptil perverso, numa clara alusão à luta entre o Bem e o Mal).É no Livro II que volta a ser retomada a alegoria do dragão, agora encarnado numa outra personagem, Pedro, o arquitecto, que exerce a sua sedução sobre Bianca, já presa a Luís por laços de uma longa e profunda convivência. A narrativa fantástica chega ao seu auge, no capítulo 8, quando Bianca se envolve numa árdua luta com Pedro que a ataca, pela calada da noite, nos jardins da casa herdada. A cena medonha desenrola-se por grutas e túneis e um confronto selvagem entre Luís e Pedro, numa ampla câmara por onde ressoam os uivos lancinantes da violência, faz transfigurar o arquitecto num animal medonho de escamas e fogo, monstruoso, olhos de réptil, face de víbora e uma longa cauda de lança (p. 117). Concomitantemente verificam-se as consequências nefastas da influência do dragão pavoroso. Os jornais noticiaram os estragos bem visíveis desde o Cabedelo até à última ponte, as cadeiras e mesas das esplanadas das ribeiras de Gaia e do Porto espalhadas por todo o lado, carros lançados das estradas marginais ao rio e os barcos rabelos arrancados das suas amarrações e soltos, à espera de um pastor que os levasse de volta ao redil. ( p. 119) . Bianca torna-se, nesta circunstância, guerreira, impondo-se destemidamente às tendências do mal que viriam abalar a sua união com Luís. E ganha forças extraordinárias, ao lado do homem que a ama e que se bate por ela. Nessa luta alegórica, acaba por vencer o casal que se transfigura em anjos brilhantes, ganhando o direito às asas da imortalidade. O lado nocturno da natureza humana é subjugado pela luminosidade dos seres puros, aqui metaforizados em anjos que andam na Terra, numa missão de paz etérea. Este romance, ao sabor das narrativas de realismo mágico, preconiza que os anjos também existem na Terra, e os que descem do Céu têm uma missão a cumprir, regressando quando Deus quer. Por isso, a heroína permanece na Terra, no grande casarão, cultivando a amizade como o sentimento mais duradouro na relação entre os homens. O seu grande amor, Luís, desaparece, depois do soberbo desastre que assolou a existência dos dois. Volátil, terá subido ao Céu.Mas esta é uma leitura possível, ao lado de muitas outras que a literatura fantasiosa proporciona. E também, outros aspectos interessantes, poderiam ser abordados. O espaço, por exemplo, e o seu tratamento, não esquecendo a carga ideológica que a escritora pretende transmitir, quando são referidas alterações urbanísticas que foram feitas na cidade do Porto e que merecem o descontentamento manifestado. O tempo, cíclico, como é habitual no realismo mágico, a corroborar as concepções de Tolkien, que afirmava "Quando o presente é insuportável e o futuro suscita medo, então os homens voltam-se, na sua busca de segurança e inspiração, automaticamente para o passado ou para outras regiões, mesmo fantásticas". Uma leitura psicanalítica também é possível, sobretudo se relacionarmos a narrativa com a ilustração, neste caso, uma interpretação, com belíssimos quadros de Agostinho Santos. Anjos e demónios sempre foram recorrência no imaginário colectivo. Este é o romance certo para se ler à lareira, nas noites frias que se avizinham, e deixarmo-nos levar pelo sabor quase esquecido das longas leituras da nossa juventude. Uma palavra de apreço, e de elogio também, para a excelente edição da Calendário, a confirmar que o livro continua a ser um objecto de culto.
Coimbra, FNAC, 22 de Novembro de 2008  Leocádia Regalo

Título: Bianca e o Dragão

Autor: Beatriz Pacheco Pereira

ISBN: 9789728985271

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